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As redes sociais e o Espiritismo

 
O Reformador - Maio 2012
 
Você pode não querer ter uma página no Orkut, no Facebook, ou em qualquer outro site de relacionamento que compõe a chamada Rede Social na Internet, mas certamente não poderá fechar os olhos à influência dessa forma de relacionamento, que cada vez mais tem ocupado as atenções, interesses e emoções de grande parcela da Humanidade, sobretudo da juventude.

A questão que brota desse cenário é o que interessa a nós outros, que procuramos incorporar à vida a grandeza do olhar espírita. Estamos, possivelmente, diante de uma circunstância desafiadora e inusitada para o ser humano, já que as redes sociais revelam, de forma contundente, os desafios e as fragilidades do complexo processo de comunicação entre os seres humanos.

Quem refletiu de maneira clara e profunda sobre a questão foi o pensador francês Dominique Wolton, que realizou palestras no Brasil no fim de 2010, e na ocasião deu entrevista à Folha UOL (publicada no dia 10/11/10).

Atento ao percurso dessa forma de comunicação pelos labirintos das necessidades humanas, Wolton alertou para um risco vital – o de estarmos mergulhados numa “solidão interativa”, própria de um modelo de comunidade proposto pela Internet. Para ele, a rede mundial de computadores não serve para a constituição da democracia. Em sua opinião, ela “‘só funciona para formar comunidades’ – em que todos partilham interesses comuns – ‘e não sociedades, onde é preciso aprender a conviver com as diferenças’”.

Com a autoridade de ser sociólogo da comunicação e diretor do Centro Nacional de Pesquisa Científica de Paris, ele acredita que, depois das questões voltadas à problemática do meio ambiente, a “comunicação será a grande questão do século 21″.

Reuni neste texto alguns dos tópicos destacados da entrevista dada por Wolton ao site. A ideia é fazer leituras paralelas com os pontos de vista espíritas, que nos permitem articular as conexões necessárias entre o mundo em que vivemos com o que queremos construir – melhor e mais dinâmico – sem abrir mão dos pressupostos da realidade espiritual, que tanta diferença para melhor promovem em nossa vida.

Sobre a Internet, o pensador francês afirma que:

[...] é formidável para a comunicação entre pessoas e grupos que se interessam pela mesma coisa e, do ponto de vista pessoal, é melhor do que o rádio, a TV ou o jornal.

Mas, do ponto de vista da coesão social, é uma forma de comunicação muito frágil.

A respeito das redes sociais, ele diz que:

[...] retomam uma questão social muita antiga, que é a de procurar pessoas, amigos, amor. São um progresso técnico, sem dúvida, mas a comunicação humana não é algo tão simples. Porque em algum momento será preciso que as pessoas se encontrem fisicamente – e aí reside toda a grandeza e dificuldade da comunicação para o ser humano.

Sobre solidão interativa: “Podemos passar horas, dias na Internet e sermos incapazes de ter uma verdadeira relação humana com quem quer que seja”.

Wolton elaborou um conceito interessante – o da sociedade individualista de massa:

Usamos a internet porque ela é a liberdade individual. Na internet, todo mundo tem o direito de dar sua opinião, mas emitir uma opinião não significa comunicar-se. Porque, se a expressão é uma fase da comunicação, a outra é o retorno por parte de um receptor e a negociação [que essa volta] implica – e isso toma tempo!

O que é a democracia na relação humana – “há um fascínio pela rapidez da internet e por sua falta de controle”.

“Mas essa falta de controle é demagógica, porque a democracia não é a ausência de leis, mas a existência de leis utilizadas por todos”.

Basta observar a gravidade da importância da relação entre as pessoas, como destaca Wolton, para notar que o vínculo afetivo iniciado virtualmente quase sempre é desprovido de consistência e profundidade. Mesmo com os exemplos que surgem, cada vez mais, de casais que se uniram depois dos primeiros contatos feitos pela internet, ainda vale considerar que relações com esse perfil exigem um tempo maior de interação.

Encantar-se com alguém é o primeiro passo rumo à decisão de mergulhar na relação. Até quem se encontrou pela rede de computadores vai ter, mais cedo ou mais tarde, que se defrontar com as diferenças individuais, com as necessárias concessões e renúncias, que caracterizam o cenário comum a qualquer relação entre duas pessoas que ficam frente a frente em algum momento do encontro afetivo, rompendo as distâncias virtuais. Importante ressaltar que a fragilidade da coesão social pela Internet, destacada pelo sociólogo francês, revela um pouco do perfil dos relacionamentos humanos em seu contexto global. Quem opta pela superficialidade nas opiniões e na vida pessoal traz essas marcas para as escolhas relacionais. A Internet tem a possibilidade de potencializar esse tipo de relação, pela facilidade do interlocutor dizer somente o que lhe interessa, sem que necessariamente tenha de ser verdadeiro em suas afirmações. Coisas de um tipo de relação construída à distância, sem as confirmações dos olhos e do toque humano.

O capítulo VII de O Livro dos Espíritos, em sua terceira parte, quando trata da Lei de Sociedade, destaca a primazia da comunicação na escalada evolutiva do ser humano. Os Espíritos confirmam a Kardec que a vida social está na natureza; para isso, foi outorgada ao homem a possibilidade do uso da palavra. Ora, se assim se constitui a estratégia da comunicação entre as pessoas, nada mais natural do que considerarmos que ela se justifica nas capacidades da fala e da escuta, ou seja, há duas habilidades em jogo: se você quer falar com qualidade, deve aprender a ouvir e a negociar os resultados dessa relação própria do processo de comunicação.

E qual seria o modelo perfeito de comunicação que o Espiritismo sugere à Humanidade? O mesmo proposto pelo Cristo, quando implantou a Boa Nova nas raízes profundas da História.

A culminância do encontro entre o doador e o necessitado, entre quem tem para oferecer e quem precisa receber, se revela na presença dele na Terra. Emmanuel defende essa opinião, ao afirmar que

a maior mensagem descida dos Céus à Terra, para dignificar a vida e iluminar o coração, surgiu das palavras inesquecíveis de Jesus, que procurava o povo, e do povo, que procurava Jesus. [Xavier, Francisco; Vieira, Waldo. Pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz. 4 ed. Ed. CEC. Cap. 10]

Eis a essência da comunicação ideal – os seres se procurando para suprir as exigências da evolução inevitável e utilizando a palavra e as múltiplas expressões de afeto como ferramentas de impulso para novos degraus de ascensão.

Se as redes sociais retratam um momento atual das relações humanas, nada mais justo do que recordar a importância da convivência entre as pessoas, como estímulo definitivo para evitar que os contatos virtuais substituam os reais, que exigem a coragem essencial de olhar uns nos olhos dos outros, sem fugir dos ajustes que a vida impõe, quando está em jogo a reconciliação, o reencontro, a ressignificação do que é crescer junto com alguém, rumo a novos cenários do relacionamento humano.

 
Carlos Abranches 
 
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